Publicidade
Botão de Assistente virtual
Notícias | Região AÇÃO PENAL

As 120 testemunhas da InDeal começam a falar

Depoimentos da defesa da empresa de Novo Hamburgo serão tomados em dez audiências remotas a partir desta quarta-feira (13)

Por Silvio Milani
Publicado em: 12.10.2021 às 20:01 Última atualização: 12.10.2021 às 21:06

O juiz da 7ª Vara Federal de Porto Alegre, Guilherme Beltrami, reservou dez dias para as audiências voltadas às versões dos 15 réus da InDeal, empresa criada em Novo Hamburgo acusada de fraude bilionária em vários Estados.

“Tendo em vista o elevado número de testemunhas arroladas pela defesa (120), estabeleço que serão ouvidas 12 por dia”, observou o magistrado, em despacho do início do mês passado. As sessões começam nesta quarta-feira (13). Seguirão amanhã, sexta e nos próximos dias 19, 22 e 27, além de 3, 4, 8 e 10 de novembro, sempre a partir das 13h30, de forma remota, “em respeito às normas de distanciamento social direcionadas ao enfrentamento da Covid-19”.

Pilhas de documentos foram apreendidas em maio de 2019 para análise
Pilhas de documentos foram apreendidas em maio de 2019 para análise Foto: Polícia Federal
O magistrado também marcou as possíveis últimas audiências do processo. Serão os interrogatórios dos réus, nos dias 22, 26 e 29 do mês que vem. Beltrami frisa que a Justiça Federal disponibiliza uma plataforma de videoconferência. “Cumpre referir que o aplicativo é gratuito, facilmente disponível e de uso intuitivo, bastando a disponibilidade, pelos procuradores, réu e testemunhas, de qualquer espécie de dispositivo eletrônico (telefone celular, tablet, notebook ou desktop) e de acesso à internet na data e horário designados para a audiência”, observa.

Acusação já foi

As primeiras audiências foram para as testemunhas de acusação. São as 11 arroladas pelo Ministério Público. A maior parte foi ouvida nos dias 28. 29 e 30 de setembro. As duas últimas prestaram depoimento na semana passada. Entre elas estão investigadores da Operação Egypto da Polícia Federal, deflagrada na manhã de 21 de maio de 2019, quando a InDeal foi fechada e dez membros da cúpula acabaram sendo presos.

 

Solturas evitam transporte aéreo de três sócios

Na tarde de 3 de setembro, quando o juiz marcou as dez audiências, três sócios da InDeal estavam presos há nove dias antes pela Operação Vita Continuat da PF, que significa vida que segue. Era desdobramento da Egypto para apurar suposta persistência em fraudes por meio de lavagem de dinheiro e ocultação de bens. Como um estava em presídio de Florianópolis e outro de São Paulo, seria necessário remoção a uma casa prisional de Porto Alegre para acompanhamento virtual das sessões.

O traslado público deixou de ser necessário no dia 16 de setembro, quando o mesmo magistrado soltou os três, inclusive o recolhido na capital gaúcha. A liberdade foi concedida a pedido da própria PF, por entender que não havia mais necessidade da manutenção das prisões.

As solturas beneficiaram os sócios Régis Lippert Fernandes, 50 anos, Angelo Ventura da Silva, 40, e Francisco Daniel Lima de Freitas, 47. Eles já tinham sido presos em 2019, com outros sete acusados. Dois supostos laranjas, que não estão entre os réus da Egypto, também ganharam liberdade. Um é irmão de Francisco e o outro é dono de revenda de veículos no Vale do Sinos apontada como negócio de fachada para ocultar bens.

Defesa sustenta que réus querem pagar clientes

Conforme a investigação, a InDeal arrecadou R$ 1,1 bilhão e lesou 23,2 mil investidores, atraídos pela promessa de rentabilidade de 15% ao mês. Um médico do Vale do Sinos, por exemplo, investiu R$ 800 mil e perdeu tudo.

O escritório Matarasso Albuquerque Advogados, que representa os sócios Angelo e Régis, sustenta que os clientes querem pagar os investidores. É a tese dos 15 réus. Os defensores também afirmam que não houve ocultação de bens.

A banca salienta a apreensão de 3.537, 21068616 Bitcoins nos Estados Unidos em poder de outro sócio, Marcos Antônio Fagundes, 48, no ano passado. Os valores em moeda virtual descobertos dariam, na cotação em alta desta terça, quase 1,1 bilhão de reais. Não significa, porém, que os investidores serão ressarcidos, pois a vítima na ação penal é a União, a quem a InDeal deve quantias milionárias em impostos, além de multas pesadas com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia do governo que regula o mercado financeiro.

Gostou desta matéria? Compartilhe!
Encontrou erro? Avise a redação.
Publicidade
Matérias relacionadas

Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.