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Notícias | Região CRIME ORGANIZADO

Facção escolheu o lugar para gravar execução de jovem na frente de revenda em Taquara

Fuzilamento foi registrado por mulher da quadrilha com celular e por câmeras de loja de veículos na RS-239

Por Silvio Milani
Publicado em: 13.10.2021 às 21:54 Última atualização: 13.10.2021 às 22:14

Era para gravar. Os matadores tiraram o rapaz do carro, o posicionaram na frente de uma revenda de veículos, para onde estava apontada uma câmera de vigilância, e o fuzilaram. Além disso, uma mulher filmava tudo no celular. A execução da noite de terça-feira (12) às margens da RS-239, em Taquara, soa como recado do crime organizado. A Polícia tenta decifrar. A vítima, Kevyn Alcides, tinha 18 anos e antecedentes por posse de drogas. Era morador de Parobé.

Kevyn Alcides é executado de costas para os atiradores, logo ao bater palmas para chamar alguém na revenda
Kevyn Alcides é executado de costas para os atiradores, logo ao bater palmas para chamar alguém na revenda Foto: Reprodução
As imagens mostram que o jovem caiu numa emboscada. Não sabia que estava sendo levado para a morte. Um carro preto, possivelmente um Grand Siena, para na frente da loja de carros por volta das 22 horas. Bem no ângulo da câmera. Kevyn desce do banco traseiro com dois encapuzados de farda militar. No banco dianteiro do carona, sai outro de touca ninja, também com roupa possivelmente do Exército. Os três estão com armas longas, provavelmente dois fuzis e uma submetralhadora. Uma mulher bem-vestida, aparentemente jovem, é a motorista. Ela desce já gravando pelo celular.

De costas

Com fardas militares, criminosos fuzilaram também a revenda de veículos
Com fardas militares, criminosos fuzilaram também a revenda de veículos Foto: fotos Reprodução

 Um homem fala algo ao pé do ouvido do jovem, em tom de ordem, e o empurra para a frente. Quase no portão de ferro, ingenuamente de costas para os encapuzados, Kevyn bate palmas como se estivesse chamando alguém na revenda. E começa a ser fuzilado. Mesmo com a vítima caída com dezenas de tiros, os bandidos não param de disparar. Eles passam a mirar também o pátio da revenda, onde atingem a fachada e quase todos os automóveis em exposição.

'Queriam escrachar, colocar o terror'

A delegada de Taquara, Rosane de Oliveira, prefere não dar detalhes da investigação. Trata o caso sob extremo sigilo. Ela admite, porém, que o vídeo está sob análise. “Estamos apurando muita coisa”, resumiu ela, que estava em local de difícil acesso, à tarde, atrás de informações. Um investigador, sem esconder a perplexidade com a escancarada execução, avaliou: “queriam escrachar, colocar o terror”. Observa que sequer se preocuparam com o movimento de retorno de feriadão na RS-239, próximo ao cruzamento com a RS-020, no caminho ao litoral.

 

Para policial, execução pública foi proposital

Para o investigador, foi proposital a exposição à câmera da revenda. “E a gravação da mulher deve ser para prestar contas ao mandante da facção.” O motivo da execução pública não está esclarecido, principalmente no que se refere à violência contra um jovem sem conhecido histórico criminal. A relação com a intenção de amedrontar comerciantes da região, para fins de cobrança de pedágio a facção, não é descartado. Os tiros de grosso calibre deixaram prejuízo considerável à revenda, que permaneceu fechada nesta quarta-feira (13).

 

Últimos passos da vítima serão apurados

Kevyn Alcides Apesar do medo de familiares e amigos em falar, a Polícia tenta descobrir com quem Kevyn falou desde o fim de semana. Os contatos podem trazer pistas sobre quem são os matadores. Apurar os últimos passos é um desafio. Kevyn teria sido pego em Parobé para dar uma volta. Câmeras de segurança da cidade serão requisitadas. A revenda fica no sentido Parobé-Taquara. Também é feita pesquisa sobre a propriedade de Grands Sienas pretos e modelos parecidos da mesma cor. Pelo vídeo, peritos não teriam conseguido ver a placa.

Rapaz postou fotos com ferimentos

Kevyn parecia estar com problemas. No último dia 5, postou foto nas redes sociais com o rosto cheio de hematomas. “Apanhou de quem, diabo?”, pergunta um amigo. E Kevyn responde: “Não apanhei”. Entre outras mensagens outro amigo opina: “Tá com cara de quem apanhou”. Em outra postagem, ele oferece tênis das principais marcas esportivas. Nesta quarta, uma prima publicou mensagem de luto: “Cuida de mim aí de cima, meu anjo. Eu te amo para sempre”.

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