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Notícias | Região CRIME ORGANIZADO

Encapuzados trocaram placa do carro antes de fuzilar jovem na frente de revenda em Taquara

Automóvel preto ainda não apareceu, mas Polícia já tem suspeitos do brutal homicídio

Por Silvio Milani
Publicado em: 14.10.2021 às 21:24 Última atualização: 14.10.2021 às 21:33

O carro preto usado na brutal execução de jovem na frente de revenda de veículos na RS-239, em Taquara, na noite de terça-feira (12), teve a placa trocada e não estava em ocorrência de furto ou roubo. O automóvel, que seria um Grand Siena, é um dos principais trunfos da investigação. A delegada de Taquara, Rosane de Oliveira, não entra em detalhes sobre o veículo, mas informa que já tem suspeitos do homicídio. E confirma, conforme revelado pelo Jornal NH, que o fato é investigado no contexto de esquema de extorsão a empresários nos vales do Sinos, Paranhana e Serra.

Kevyn Alcides, de 18 anos, foi morto a tiros na noite de terça-feira (12)
Kevyn Alcides, de 18 anos, foi morto a tiros na noite de terça-feira (12) Foto: Reprodução
É comum carro empregado em crime de repercussão ser abandonado horas depois, muitas vezes carbonizado. Ainda mais em execução organizada por facção para ser gravada e divulgada, como aponta a investigação. Mas o suposto Grand Siena ainda não apareceu. A troca da placa foi constatada por imagens obtidas no percurso. Pela câmera de vigilância da revenda, não é possível visualizá-la.

Treino

“Há indícios de autoria. Estamos levantando nomes”, declara a delegada. A motivação, segundo ela, seria dívida tráfico. “Muitos adolescentes são recrutados, em situações que acabam se confundindo na venda e consumo.” A familiaridade dos três executores no manejo de armas longas, com postura profissional em fardas militares e toucas ninjas, pode decorrer da facilidade de treino, segundo Rosane. “Muita gente frequenta clube de tiro. Qualquer pessoa pode fazer curso.”

 

Relação com o crime organizado

A delegada admite que a execução na frente de revenda veículos, que teve a fachada e todos os carros do pátio fuzilados, indica relação com extorsão. É um dos segmentos com cobrança de ”pedágio” por parte de facção na região. “No contexto das nossas investigações das extorsões, estamos pedindo a sexta prisão preventiva desde setembro.” E faz uma revelação sobre o núcleo das execuções: “Faz dois anos que esse pessoal vem praticando homicídios. Houve em Gramado, Três Coroas, Parobé, Nova Hartz”.

Para o delegado regional, Heliomar Franco, é uma execução cometida por profissionais do crime. “Temos que trabalhar muito para desvendar esse fato. Estamos no início da investigação.” Ele também não descarta a escolha de um jovem sem histórico criminal expressivo, apenas por posse de droga, para combinar execução por dívida com intimidação ao comércio. “Que havia problema interno que foi resolvido à bala, é certo. Não se descarta ter sido usado nesse cenário, mas é muito cedo. São só dois dias de trabalho.”

 O caso

Kevyn foi executado em frente à revenda
Kevyn foi executado em frente à revenda Foto: Reprodução
Conforme revelado pelo Jornal NH, as evidências apontam que a facção escolheu a frente da revenda para a execução, como forma de dar “recado”.

O morador de Parobé Kevyn Alcides, 18 anos, que nada tinha a ver com a loja de carros de Taquara, seria alguém que devia para a facção e, por isso, teria sido o escolhido para morrer numa espécie de “boi de piranha”.

Ele foi levado no carro preto até a frente da agência às margens da RS-239, perto da RS-020, posicionado no ângulo da câmera da loja e fuzilado por três encapuzados com farda militar. A motorista, que seria uma jovem e bem-vestida, gravou tudo em celular.

Kevyn parecia não imaginar que seria fuzilado. Logo ao descer do carro, um encapuzado falou algo ao pé do ouvido do jovem, em tom de ordem, e o empurrou para a frente. Quase no portão de ferro, ingenuamente de costas para os encapuzados, Kevyn bateu palmas como se estivesse chamando alguém na revenda. E começaram os tiros. Às dezenas.

Mesmo que os matadores não estejam identificados, os suspeitos seriam membros da facção que cobra pedágio de empresários e comerciantes na região.

Polícia Civil e Brigada Militar, em operações conjuntas e individuais, prenderam vários autores das ameaças e até de homicídios nos últimos anos. Muitos já estão soltos.

No momento, conforme a delegada Rosane, há seis pedidos de prisão preventiva sob análise do Judiciário.

Kevyn foi enterrado na manhã desta quinta-feira (14) no cemitério do Morro do Pinhal, no interior de Parobé. O jovem parecia estar com problemas. No último dia 5, postou foto nas redes sociais com o rosto cheio de hematomas.

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