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Notícias | Região SAÚDE

Proporção de adultos com obesidade mais que dobra em 13 anos no País

Estimativa é de que até 2025, perto de 2,3 bilhões de adultos no mundo estarão acima do peso

Por Daniele Farias
Publicado em: 16.10.2021 às 03:00 Última atualização: 16.10.2021 às 15:43

A pandemia de Covid-19 está provocando diversas mudanças no comportamento da população. A principal preocupação é com a prevenção de doenças que poderiam ser evitadas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) destaca que a obesidade é um dos mais graves problemas a serem enfrentados na vida moderna.

Turmas participam de hidroginástica, musculação e orientação sobre alimentação saudável
Turmas participam de hidroginástica, musculação e orientação sobre alimentação saudável Foto: FOTOS PAULO PIRES/GES

A estimativa é de que até 2025, perto de 2,3 bilhões de adultos no mundo estarão acima do peso, sendo 700 milhões de indivíduos, obesos. Segundo dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), o número de brasileiros sofrendo com a obesidade passou de 14,45% em 2008 para 33,83%, em 2021. Em Canoas, nesses mesmos 13 anos, a obesidade em adultos passou de 29,4% para 45,62%.

A prefeitura de Canoas criou o Programa Ambulatório de Obesidade Adulto, como estratégia de controle e enfrentamento da obesidade com a finalidade de promover a redução de 5% do peso corporal em pacientes adultos. Busca reduzir os níveis de glicemia, pressão arterial e colesterol.

De acordo com a psicóloga Roberta Alencar Rodrigues, uma das orientadoras da equipe multidisciplinar, atualmente 20 pessoas são atendidas pela ação. Segundo ela, a proposta é desenvolvida como piloto, em parceria com a Unilasalle, desde agosto. Ela explica que a seleção dos pacientes se dá por meio do encaminhamento feito pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da cidade.

O coordenador do curso de Educação Física da Unilasalle, Patrick da Silveira Gonçalves, destaca que não só os pacientes ganham com o atendimento, mas toda a comunidade e os profissionais. "Os estudantes envolvidos nas aulas têm a oportunidade da prática", argumenta. "Também ganham o conhecimento sobre as políticas públicas de promoção da saúde."

Ambulatório

Segundo Roberta, a prevenção e combate à obesidade deve ser trabalhada em conjunto nas três principais áreas: nutrição, atividade física e suporte psicológico.

Ela detalha que o grupo de pacientes que se enquadra no programa, participa de aulas de hidroginástica, musculação e orientação sobre alimentação saudável.

"Algumas das pessoas atendidas tinham dificuldade de locomoção, além do fortalecimento e do condicionamento físico", destaca o professor. "As equipes da prefeitura e da universidade trabalham principalmente a questão da autoestima."

Silveira ressalta que já havia uma atividade semelhante no município. "A intenção da parceria partiu da equipe do Ambulatório da prefeitura e poderá ser ampliada para o próximo ano", complementa.

Os pacientes atendidos são acompanhados por um equipe composta por médicos, educadores físicos, psicólogos e nutricionistas. Os encontros ocorrem duas vezes por semana na Unilasalle, após seleção pela UBS.

Números no Brasil mostram impacto social

Dados do Ministério da Saúde indicam que quase metade da população está acima do peso. Segundo o estudo, 42,7% da população estava acima do peso em 2006. Em 2011, esse número passou para 48,5%. O levantamento é da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), e os dados foram coletados em 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal.

A pesquisa aponta ainda que Porto Alegre é a capital que possui a maior quantidade de pessoas com excesso de peso (55,4%), seguida por Fortaleza (53,7%) e Maceió (53,1%). Já na lista das capitais que possuem o menor índice de pessoas com sobrepeso estão São Luís (39,8%), Palmas (40,3%), Teresina (44,5%) e Aracaju (44,5%). São Paulo apresenta 47,9% de pessoas com excesso de peso. A proporção no Rio de Janeiro é de 49,6%, e no Distrito Federal é de 49,1%.

A capital com mais obesos é Macapá (21,4%), seguida por Porto Alegre (19,6%), Natal (18,5%) e Fortaleza (18,4%). As capitais com menor quantidade de obesos são: Palmas (12,5%), Teresina (12,8) e São Luís (12,9%).

Em São Paulo, a proporção de obesos é de 15,5%, no Rio de Janeiro o percentual é de 16,5% e no DF os obesos representam 15% da população.

Troca de experiências

A aposentada Florinda Mesquita, 61 anos, e a dona de casa, Andrea Marques da Silveira, 36, participam do Ambulatório da Obesidade há quase dois meses. Elas procuraram atendimento nos postos de saúde e foram incluídas no programa. Para Florinda, que é hipertensa, a oportunidade trouxe a melhora da saúde física e uma troca de experiências positivas com as colegas e a equipe de orientadores e estudantes que integram o projeto.

Políticas públicas

Para os estudantes que auxiliam durante as aulas de musculação e hidroginástica, o programa traz conhecimento sobre políticas públicas para a promoção da saúde. Estudante do segundo semestre do curso de Educação Física, Milena Finkler, participa pela primeira vez deste tipo de programa. Para ela a interação com os pacientes traz uma visão mais ampla sobre as atividades
que podem ser desenvolvidas.

Alimentação natural

A psicóloga Roberta destaca que cuidar de hortas e jardins em geral incentiva que as pessoas pesquisem mais sobre alimentação saudável. Em parceria com a Emater Canoas, os pacientes visitam áreas de pequenos produtores, como parte do acompanhamento. Outra vantagem é que os pacientes também estão em movimento ao se envolverem com a preparação dos
espaços de plantio dos próprios alimentos. 

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