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Notícias | Região PESO NO BOLSO

Alta dos preços da carne faz crescer procura por miúdos e subprodutos, como ossinho de porco

Boletim econômico do Iepe/Ufrgs considera que a carne bovina se tornou 'item de luxo' na mesa das famílias. Confira o levantamento feito pela reportagem

Por Matheus Chaparini
Publicado em: 21.10.2021 às 07:05 Última atualização: 21.10.2021 às 10:37

A carne está cada vez mais escassa no prato do brasileiro. E não é por uma escolha ligada à saúde. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o consumo de carne vermelha no Brasil é o menor dos últimos 26 anos.

Carne vermelha é item escasso no prato dos gaúchos
Carne vermelha é item escasso no prato dos gaúchos Foto: Diego da Rosa/ GES

O impacto é ainda maior nas famílias de baixa renda, que consomem praticamente só itens de primeira necessidade. O boletim econômico do Iepe/Ufrgs referente a setembro considera que a carne bovina se tornou "item de luxo" nas famílias de baixa renda.

O estudo aponta que a cesta básica subiu 1,98% e chegou a R$ 1.092,01 na Região Metropolitana, puxada principalmente pelo gás de cozinha, carne bovina e de frango. Nos últimos 12 meses, a elevação é de 19,85%.

De acordo com o boletim, a carne moída de segunda acumula alta de quase 40% em 2021, sendo vendida a cerca de 30 reais nos mercados de Novo Hamburgo. Mesmo carnes que tiveram redução de preço em setembro têm alta no ano, caso da chuleta, que caiu 1,15% no mês, mas acumula 22,4% de alta no ano, e é encontrada por cerca de 36 reais.

Artigo de luxo, elas contam até com dispositivos antifurto. Em um supermercado de Novo Hamburgo, os itens mais preciosos, como a picanha, contam com um chip para evitar roubos.

Sem dinheiro para pôr carne no prato, a população busca substitutos para garantir alguma proteína animal na refeição. A demanda por miúdos e subprodutos, como o ossinho de porco, que custa cerca de 6 reais, está em alta. Em um açougue do bairro São José, até procura pela doação de ossos bovinos aumentou.

Já um proprietário de um mercado no bairro São Jorge conta que há cerca de 30 dias, a carne parou de subir. O preço da carne de primeira estabilizou e a de segunda começou a baixar.

O aposentado Atalíbio Tavares da Silva, de 51 anos, trocou a carne vermelha pelo frango há quatro meses. "Na semana, é mais frango, daí no fim de semana a gente assa uma carninha", conta.

Na casa da técnica em enfermagem Fátima Ramos, 56, sai almoço todos os dias para quatro pessoas. A estratégia é reduzir a carne e trocar por outros alimentos. "Eu tento comprar as coisas boas, mas eu tenho substituído bastante a carne por ovo, legumes e frutas."

Valor da Carne

Corrida pelo ossinho suíno

Aumenta a venda de osso suíno e bovino em Novo Hamburgo
Aumenta a venda de osso suíno e bovino em Novo Hamburgo Foto: Matheus Chaparini/GES-Especial
Proprietário de dois açougues, Sandro Lopes viu o movimento cair em cerca de 40% nos últimos meses. “O pai de família chegava aqui para comprar uma carne, fazer aquele churrasquinho no domingo com os filhos. Hoje não tem mais. Pouca gente consegue”, conta.

E muitas pessoas estão substituindo a carne por miúdos ou outros subprodutos. “Há dois ou três meses, eu vendia 150 quilos por semana. Hoje, eu bato os 400 quilos. O pessoal compra para fazer na panela.”

Para Agas, preço chegou no teto

Para o presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Antônio Longo, o preço da carne já chegou ao teto. "Os supermercados estão fazendo seu papel, reduzindo as margens e buscando fornecedores alternativos." Ele diz que as tecnologias antifurto não são novidade. "Isto não está relacionado ao momento econômico turbulento, e sim à busca por eficiência das empresas."

Tendência ainda é de alta, diz economista

A suspensão da exportação de carne para a China, desde o começo de setembro, traz alguma esperança de estabilidade nos preços. "Mas depende do tempo do veto. Se resolver rápido, não. Mas, se demorar mais alguns dias, o destino pode ser o mercado interno. Contudo, acredito que não", afirma o economista e professor da Universidade Feevale José Antônio de Moura.

Ele avalia que a tendência é de que o preço continue subindo. "O consumo externo está em alta. E pesa muito a instabilidade política do País, porque ela atinge diretamente a nossa moeda, depreciando o real." O professor afirma que o preço está em elevação há quatro anos. Entre os fatores que explicam a alta mais recentemente, está a desvalorização do real frente ao dólar, que aumenta o preço dos insumos e torna a exportação mais atrativa.

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