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Novo Muro da Mauá é inaugurado em Porto Alegre

Painéis montados ao longo da estrutura criada em 1974 reproduzem obras de arte que contam a história da Capital gaúcha

Por Eduardo Amaral
Publicado em: 19.11.2021 às 17:49 Última atualização: 19.11.2021 às 20:55

Como parte das comemorações dos 250 anos de Porto Alegre, foi inaugurado nesta sexta-feira (19) o Novo Muro da Mauá. O projeto consiste em utilizar o monumento, que hoje serve como uma proteção da cidade às enchentes, em uma espécie de galeria a céu aberto.

Novo Muro da Mauá é inaugurado em Porto Alegre
Novo Muro da Mauá é inaugurado em Porto Alegre
As imagens reproduzem obras clássicas cedidas por cinco museus: pinacoteca Ruben Berta e do Instituto de Artes da UFRGS, MARGS, MACRS e Fundação Iberê Camargo.

Quem chegar ao Muro da Mauá nos próximos dias verá imagens de uma Porto Alegre de outras décadas, desde os anos 20, de quando a cidade ainda era atendida por bondes. O projeto foi realizado pelo consórcio Sinergy/HMídia, empresas especializadas nas chamadas mídia out-of-home, que consiste na publicidade feita nas áreas externas, como banners. Com orçamento de R$ 2,7 milhões, o projeto prevê a troca de imagens a cada quatro meses.

Além das obras de arte em si, os visitantes também poderão acessar através de um QR Code colocado em cada uma das imagens as informações a respeito de cada imagem. “Teremos uma biblioteca de 150 metros, onde usando o QR Code é possível conhecer a história da cidade”, ressalta o diretor da HMídia, João Pedro Nunes da Silveira.

O contrato para as intervenções foi feito através de uma Parceria Público Privada (PPP) entre o Governo de Porto Alegre e o consórcio, e também incluiu a restauração das paradas de ônibus colocadas ao longo da avenida. Em contrapartida, o espaço também será utilizado para publicidade. “É uma coisa totalmente diferente ter propaganda com arte”, explica o diretor da Sinergy, Eduardo Ferreira.

O objetivo é fazer uma espécie de exposição ao ao ar livre, e além das imagens, os visitantes verão as três paradas de ônibus no trecho do muro reformadas e um recanto de descanso para os pedestres. Como a proposta é trocar as obras expostas a cada quatro meses, após o aniversário da cidade novos painéis serão expostos. O objetivo é tratar de assuntos como música, literatura, gastronomia e personalidades da cidade.

Atrativo para turistas

A mudança do Muro da Mauá faz parte de um projeto de revitalização do Centro de Porto Alegre, bandeira defendida pelo prefeito da cidade, Sebastião Melo (MDB), desde a eleição. Para Silveira, a mudança no muro permitirá para quem visita Porto Alegre ter uma visão mais positiva da cidade. “Esta é a entrada de Porto Alegre, e ela estava feia, mas temos uma cidade linda. Agora, o turista que chega a Porto Alegre vai saber o que é a cidade.”

Ferreira destaca ainda o aspecto de renascimento para a população, que esteve reclusa nos últimos tempos em razão da pandemia do coronavírus. “Depois desse tempo todo de pandemia esse muro também não deixa de ser um grito de para que as pessoas saíam para a rua.”

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Durante o seu discurso na entrega do Muro, o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB) fez dois anúncios sobre a cidade. Melo garantiu que as obras do Mercado Público, interditado parcialmente desde o incêndio em 2013, serão entregues no dia 26 de março, data do aniversário da cidade.

O prefeito ainda disse que a Estátua do Laçador será adotada pelo mesmo consórcio responsável pelo Novo Muro da Mauá. 

História do Muro

Obra finalizada em 1974, o Muro da Mauá foi a solução encontrada pelos gestores da época para evitar enchentes na região central da capital. A iniciativa foi uma tentativa de resposta à grande enchente de 1941, quando após 22 dias, as águas do Guaíba chegaram a pontos da cidade como o Mercado Público e Rua dos Andradas, a chamada Rua da Praia.

A construção da estrutura de 2,6 quilômetros de comprimento, ligada a 19 casas de bombas e 14 diques nunca foi uma unanimidade. O espaço chegou a ser classificado como "o vergonhoso Muro da Mauá” na música Berlim-Bomfim do cantor porto alegrense Nei Lisboa. A estrutura ficou sem ser acionada por quase 40 anos, já que os dispositivos para evitar o avanço das águas só haviam sido ligados inicialmente na década de 1970. Porém, em 2015, quando o nível do Guaíba chegou a 2,91 metros, foi necessário mais uma vez acionar os compartimentos para evitar o avanço da água.

Recentemente um vereador e o ex-prefeito da cidade, Nelson Marchezan (PSDB) chegaram a defender a derrubada do muro de concreto que tem seis metros de altura, dos quais três são visíveis enquanto o restante fica abaixo do solo.

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