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Notícias | Região SAPIRANGA

Conselho Tutelar verificava denúncias de violência contra meninas desde 2020 em Sapiranga

Mãe e companheira foram presas por tortura das crianças de 7 e 10 anos, que tinham marcas de agressões e sinais de desnutrição

Publicado em: 25.11.2021 às 18:36 Última atualização: 26.11.2021 às 10:08

Desde o ano passado o Conselho Tutelar de Sapiranga recebia denúncias de violência contra as irmãs vítimas de maus-tratos. Os conselheiros teriam ido à residência da família de quatro a cinco vezes, mas destacam que não havia comprovação de tortura ou agressões às meninas. Na visitação mais recente, os agentes conseguiram constatar lesões. As crianças também estariam desnutridas.

Os relatos começaram a surgir quando a mulher, de 30 anos, recebeu a guarda das filhas que passaram a morar com a mãe e a companheira, de 30 e 43 anos. Na segunda-feira (22), as duas foram presas depois que o Conselho Tutelar levou o caso à Polícia Civil.

Mãe e companheira foram presas por agressão a meninas de 7 e 10 anos
Mãe e companheira foram presas por agressão a meninas de 7 e 10 anos Foto: Polícia Civil/Reprodução

As crianças, de 7 e 10 anos, relataram uma rotina de violência e humilhação. Para as autoridades, elas contaram que eram atacadas com socos, pauladas, eram obrigadas a comer no chão e a ficar de joelhos em tábuas como castigo.

Após atendimento médico, as crianças foram entregues ao pai. Um ofício sobre o caso já foi encaminhado para a 3ª Vara de Família e ao Ministério Público para que a guarda seja revertida ao pai.

O Conselho Tutelar disse também que as meninas receberão tratamentos, entre eles psicológico.

Vítimas moravam há um ano com o casal

Depois da separação do marido, que é o pai das duas meninas, a mãe passou a morar com as filhas na casa da avó materna. Em seguida, saiu da residência da sua mãe e passou a viver somente com a companheira. As meninas ficaram com a avó neste período. Em 2019, depois de quatro anos com a atual companheira, a mãe pediu a guarda das filhas. A Justiça concedeu o pedido no ano passado.

Há duas semanas, houve uma audiência de conciliação em que ficaram combinadas as datas das visitas do pai. O acordo foi feito porque a mãe não cumpria a determinação da Justiça para os encontros e ele não conseguia contato com as meninas.

Conforme o Conselho Tutelar, no primeiro sábado de visita, o pai chegou ao apartamento onde elas moravam e não as encontrou. Nem o pai, que também mora em Sapiranga, nem o Conselho Tutelar tinham informações sobre o paradeiro delas.

O casal e as filhas haviam se mudado do apartamento há 30 dias. Elas foram para uma casa em uma área irregular do bairro Porto Palmeira. A suspeita do Conselho é de que as agressões ficaram mais severas no último mês porque as agressoras estavam em um local mais distante na cidade.

Denúncias anônimas

Desde 2020, o Conselho Tutelar recebia denúncias anônimas de violência contra as meninas. Uma das denúncias foi registrada por um órgão público onde os funcionários estranharam o comportamento das crianças. Elas estavam com o cabelo muito curto e com roupas de menino.

Depois da denúncia, agentes do Conselho Tutelar foram até as meninas, que não relataram agressões da mãe ou da companheira. Teriam dito que a avó as maltratava.

Quando os agentes perguntaram para as crianças por que pediram ajuda nas visitas do Conselho, elas responderam que tinham medo das ameaças feitas pelo casal.

Rotina de agressões

Na segunda-feira, as duas crianças foram encontradas com muitos hematomas pelo corpo. Um laudo médico apontou que a mais nova tinha um machucado "importante" na orelha que, segundo a Polícia Civil, foram provocados pela companheira. "A mulher pegava pela orelha e dava socos no rosto", conta o chefe de investigação da Delegacia de Polícia de Sapiranga, inspetor Carlos Medeiros.

A escola

Durante a pandemia, depois que foram permitidas aulas presenciais, a mãe permaneceu sem levar as meninas à escola. Quando saiu o decreto de aulas presenciais obrigatórias, em outubro de 2021, a mãe alegou que estava providenciando a transferência das crianças e, por isso, não levava ao colégio.

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