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Notícias | Região ALTA TEMPORADA

Empresas da Serra buscam trabalhadores em outras cidades por falta de mão de obra local

Vagas efetivas estão abertas no comércio, em restaurantes e na rede hoteleira

Por Fernanda Fauth
Publicado em: 27.11.2021 às 05:00 Última atualização: 27.11.2021 às 14:43

A chegada da alta temporada na Serra gaúcha muitas vezes é sinônimo de vagas temporárias no comércio, em restaurantes ou na hotelaria. Mas, neste ano, o cenário foi modificado: os trabalhos sazonais foram substituídos por aqueles de carteira assinada.

Com setor da construção civil em alta, Camila Wilbert, que mora em Três Coroas, foi contratada há um mês para trabalhar em uma construtora de Gramado
Com setor da construção civil em alta, Camila Wilbert, que mora em Três Coroas, foi contratada há um mês para trabalhar em uma construtora de Gramado Foto: Fernanda Fauth/GES-Especial

Isso se explica devido à instabilidade da pandemia de coronavírus. Se em 2020 o ano terminou com saldo negativo, registrando menos 1.334 vagas, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), este ano, até o mês de setembro, novas 1.861 posições empregatícias foram abertas. Enquanto o número de demissões no final do ano passado fechou em 9.871, em 2021 já são 9.961 admissões.

E esse "boom" no aumento de vagas efetivas em aberto reflete, agora, na falta de profissionais para trabalhar em Gramado.

Efetivos

Com a reabertura dos segmentos turísticos entre os meses de abril e maio deste ano e a forte volta de visitantes de outros estados, as recontratações efetivas ganharam força. Com isso, no momento, vagas temporárias são escassas. "Recentemente, dois hotéis inauguraram, resultando entre 400 e 500 empregos. Com as medidas restritivas, o segmento turístico foi o mais afetado, mas sabíamos que quando retornasse, viria com tudo", afirma o secretário de Inovação, Desenvolvimento Econômico e Relações Institucionais de Gramado, Ubiratã de Oliveira.

De acordo com a diretora da agência FGTAS/Sine na cidade, Daniela Rech, até o início desta semana havia 152 cargos em aberto, sendo que as mais difíceis de serem preenchidas são auxiliares de cozinha e limpeza.

Empresas buscam em cidades vizinhas

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Hotelaria e Gastronomia de Gramado, Rodrigo Callais, argumenta que as empresas procuram indicações e aquelas que possuem maior poder aquisitivo já estão buscando seus empregados em outras cidades, com ônibus próprio. "São muitos os fatores que afetam na atratividade de uma vaga. Salários baixos, carga horária mais alta, ter que trabalhar aos finais de semana, feriados. O próprio custo de vida em Gramado é maior comparado à capitais", avalia.

Callais também relata que o município sente reflexos de outro comportamento gerado pela crise da Covid. "Desde junho os setores vem sentindo essa escassez de mão de obra. Durante a pandemia, houve demissões em massa, alguns demitiram todo o quadro de funcionários, outros 50%. E muitos desses que ficaram desempregados retornaram para seus estados, pois não tinham como se manter", conclui.

Com a ausência de pessoas com formações ou cursos necessários, as empresas optam por contratar aqueles disponíveis sem experiência. "Isso pode atingir a qualidade do serviço. E nós entendemos, é difícil conseguir investir em si mesmo. Muitas vezes, a pessoa trabalha mais que a carga horária permitida. Em que momento ela vai fazer um técnico, uma faculdade?", questiona.

'Falta de mão de obra sempre teve', diz secretário

Para o secretário Ubiratã, buscar pessoas de fora para trabalhar é comum. "A falta de mão de obra sempre teve. O que acontece é que agora os municípios vizinhos também estão se desenvolvendo e atraindo esses profissionais", fala. Atualmente, moradores de Taquara, Igrejinha e Três Coroas vêm buscando empregos na região, segundo Daniela. A ausência reflete em outro problema: a falta de qualificação. "Vagas com exigências, até mesmo em relação à escolaridade, tem maior dificuldade na hora de contratar", diz a diretora.

Camila completou um mês no novo emprego

Alguns segmentos continuaram ganhando força durante a pandemia, como a construção civil, com novos empreendimentos residenciais e hoteleiros.

Camila Wilbert é tecnóloga em design de interiores e trabalha na Construtora PRG, em Gramado. Ela mora em Três Coroas e foi indicada para uma vaga na empresa. "Estava em outro emprego e a oportunidade surgiu do nada, tive o poder de escolher. E isso reflete em diversos benefícios", relata. Nesta semana, ela completa um mês no novo cargo.

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