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Notícias | Região BARBÁRIE

Dois vão a júri por matar, decapitar e esconder partes do corpo de pedreiro em Ivoti

Ordenado por preso, crime foi executado por adolescente com cantoria e risadas em ponto de tráfico no bairro Morada do Sol

Por Silvio Milani
Publicado em: 29.11.2021 às 21:40 Última atualização: 29.11.2021 às 21:49

Ao som de hip-hop, um traficante de 16 anos decapita um viciado devedor e grava a barbárie. O vídeo é estarrecedor. Comparsas ajudam a enrolar o corpo em cobertores e jogam em um córrego. Na margem do outro lado é deixada a cabeça, dentro de uma sacola plástica.

Mais de três anos depois, o Judiciário decide que dois vão a júri. Outros dois suspeitos respondem na Vara da Infância e Juventude. Ao contrário do que possa parecer, a barbárie não aconteceu em uma cidade violenta. Foi em Ivoti, que tem baixos índices de criminalidade.

Partes do corpo foram encontradas em 10 de junho de 2018
Partes do corpo foram encontradas em 10 de junho de 2018 Foto: Arquivo GES
Em sentença na semana passada, a juíza de Ivoti, Larissa de Moraes Morais, manda ao banco dos réus Felipe Gomes de Souza, o Lipe, 31 anos, e Ícaro José Amaral, 28, pelo homicídio do pedreiro Elói Alfredo Werlang, 32. Conforme o Ministério Público (MP), Felipe delegou a execução de dentro do presídio ao adolescente que ele havia nomeado como gerente de ponto de tráfico na Rua Taquari, bairro Morada do Sol.

O menor não só cumpriu a ordem como gravou a decapitação e compartilhou no grupo da facção. “Meu grande irmão”, respondeu Felipe ao adolescente, o parabenizando. E Ícaro, ainda segundo o MP, foi identificado nas imagens. Um outro menor também foi reconhecido. A investigação policial admite que há mais envolvidos, que acabaram não sendo descobertos. Felipe e Ícaro negam participação. Os advogados deles pediram absolvição por insuficiência de provas.

Juíza questiona versões

“Destaco que os réus, em seus interrogatórios, limitaram-se a dizer que não conheciam a vítima, tampouco conheciam um ao outro e nunca estiveram na cidade de Ivoti”, despachou a juíza. Ela observa, porém, que as versões defensivas não encontram respaldo.

Uma das provas, conforme menciona, são extratos bancários apreendidos no ponto de tráfico com depósitos para a conta da mulher do preso. “Todas as decisões envolvendo valores e eventuais débitos passavam por ele.”

Cadáver foi exposto com cantoria e risadas

A Promotoria descreve a selvageria feita em vídeo pelo adolescente, que tentou cortar o pescoço com uma faca de cozinha, não conseguiu e pegou um facão. Relata que, enquanto decapitava, o menor esbofeteava a face do morto.

“Irrogavam pragas, sempre rindo e cantando, ou seja, utilizando o corpo da vítima com desrespeito e desprezo, para enviar mensagem dissuasória à concorrência e a eventuais devedores”, ressalta o MP.

Pedreiro saiu para trabalhar e não voltou

O “vilipêndio a cadáver”, conforme referido pela acusação, foi logo após Elói ser morto com várias facadas, no dia 5 de junho de 2018, possivelmente pela manhã. É quando, conforme parentes, o pedreiro saiu para trabalhar e não mais retornou para casa. Vizinhos teriam ouvido barulho de carro e conversas, dentre elas, a voz de Elói.

Na primeira noite, familiares pensaram que tinha ido ao ponto de tráfico comprar droga, como era de costume, e ido direto ao trabalho. Mas também não apareceu na noite seguinte. E a ocorrência de desaparecimento foi feita no dia 7, quando policiais civis encontraram, na casa da Rua Taquari, a bicicleta da vítima. É onde estaria morando o menor acusado do crime.

Outro adolescente e o réu Ícaro, conforme os agentes, foram presos vendendo drogas. Em celulares apreendidos, havia o vídeo da decapitação, fotos do cadáver e conversas com o preso Felipe.

Cachorro farejou e dono encontrou

Um cachorro fugiu de casa e farejou a vítima, na tarde de 10 de junho, um domingo, em córrego perto do ponto de tráfico. O dono do animal viu. O corpo, com mãos e pés amarrados, e a cabeça do outro lado chocaram a vizinhança. A Brigada foi avisada. Pertences pessoais de Elói estavam no matagal entre a casa e o riacho.

“Por desavenças anteriores, ainda não bem esclarecidas, mas relacionadas com uma “dívida de drogas”, os denunciados já tinham o propósito de matá-lo”, considera o MP.

O chefe, o gerente e o "cabeça de lata"

Conforme o MP, Felipe, apontado como membro da facção Os Manos, estava comandado o tráfico na área. O adolescente, que recém havia saído da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Fase) por ter matado menor a pedradas em Campo Bom, foi “nomeado” por Felipe como gerente do ponto em Ivoti.

O outro réu, Ícaro, foi definido pela Promotoria como “cabeça de lata”, espécie de “relações públicas” que apresentava a “boca” e vendia para usuários da cidade.

Felipe e Ícaro estão presos preventivamente por quatro crimes relacionados à morte de Elói – homicídio, vilipêndio a cadáver, ocultação de cadáver e corrupção de menores.

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