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Notícias | Região SEU BOLSO

Leite de caixinha acumula aumento de até 70% no ano

Em janeiro, litro podia ser encontrado a R$ 2,69 nos mercados da região; nesta quarta-feira (20), produto já custava R$ 4,59

Por Débora Ertel
Publicado em: 21.04.2022 às 03:00 Última atualização: 21.04.2022 às 16:08

Não é somente a carne ou a cenoura que andam deixando a conta do supermercado mais alta. O litro do leite longa vida, o popular leite de caixinha, também disparou nas últimas semanas. Até o fim de março, era possível encontrar o produto a menos de R$ 4,00; agora, está entre R$ 4,10 e R$ 4,30, podendo ser mais caro conforme marca e local.

No acumulado do ano, o contraste é ainda maior, levando em conta que até janeiro dava para achar a caixinha a R$ 2,69.

Produtores tiveram que repassar aumentos nos insumos
Produtores tiveram que repassar aumentos nos insumos Foto: Diego da Rosa/GES
Segundo o secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat), Darlan Palharini, entre o final de março e início de abril, o aumento foi de 10% a 15%.

A reportagem visitou três supermercados na manhã de quarta-feira (20) e observou que os preços variavam entre R$ 3,94 e R$ 4,59, sendo que o menor valor era oferecido em apenas um estabelecimento, para um único tipo de leite.

Nos mercados menores, que ficam nos bairros, o leite de caixinha já passa dos R$ 5,00 a unidade.

Margem de venda

O comerciante Marcos Roberto Przygodnski Nunes, 48 anos, tem uma padaria no bairro Rincão e foi até um atacado fazer compras. Entre os itens, uma caixa com 12 litros de leite, ao preço de R$ 4,19. "Faz umas duas semanas que o preço está se mantendo, porque antes subia quase todo o dia", comenta.

Por conta dos aumentos, ele até diminuiu a margem de venda do produto em sua padaria. "Porque eu sei que fica muito caro para o pessoal", disse. Ele lembra que no início do ano o valor do litro ficava próximo dos três reais. Conforme encartes consultados pela reportagem, em 7 de janeiro o litro podia ser encontrado a R$ 2,69, em 4 de fevereiro por R$ 3,09 e em 4 de março, por R$ 2,99. De R$ 2,69 até o preço de R$ 4,59, encontrado nesta quarta, o aumento é de 71%.

Acumulado

Conforme Palharini, o setor acumulava defasagem desde o segundo semestre de 2021. Houve alta no milho e na soja, que integram a ração dos animais, assim como reajuste nos medicamentos e nas embalagens.

"Além disso, tivemos uma estiagem de dezembro até o começo de março, o que acabou afetando a produção. Então a partir da segunda quinzena de março tivemos que repassar os valores", resume. O representante do Sindilat informa que o preço médio ao produtor no Rio Grande do Sul hoje está entre R$ 2,40 e R$ 2,70.

Cesta básica registra alta neste trimestre

Pela pesquisa feita pelo Procon de São Leopoldo, a cesta básica de menor valor teve custo de R$ 669,40 em abril, o que representou um aumento de 0,69% em comparação com o mês de março. O levantamento foi realizado pelas fiscais Cibeli Prado e Patrícia Ferreira na segunda semana de abril em supermercados do Município.

O sabão em pó, o extrato de tomate e o tomate apresentaram os maiores aumentos - 48%, 42% e 39%. Por outro lado, houve redução no valor da água sanitária, -50%, creme dental, -25%, e ovos, -19%. "A escolha por produtos com preços menores pode trazer alguma economia para os consumidores", pondera a diretora do Procon-SL, Neusa Azevedo, via assessoria de comunicação.

Pesquisas são ferramentas de comparação e de orientações. E como há variação de preços às vezes em curto espaço de tempo de determinados produtos, é importante que o consumidor compare.

Tendência é de ficar com preço estável agora

O presidente da Cooperativa Piá, Jéferson Smaniotto, salienta que a diminuição na oferta do leite culminou com a alta dos preços. A cooperativa atende 105 municípios, incluindo os produtores dos vales do Paranhana, Caí e Sinos. Na sua avaliação, o valor do litro deve se manter estável a partir de agora. "O preço está em um patamar equilibrado com o custo de produção. Mas sabemos que por outro lado também falta o poder aquisitivo das pessoas", pondera.

Inflação

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou alta de 3,41% no mês passado no leite longa vida, a maior para o mês desde 2015. Já o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apurou com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos que o leite integral subiu em 16 capitais no mês passado.

Derivados

As maiores altas aconteceram em Belo Horizonte (13,09%) e Porto Alegre (9,84%). O órgão também constatou que o aumento nos custos da produção de leite, a diminuição nos estoques de derivados lácteos e a competição por matéria-prima entre as indústrias sustentaram a elevação nas cotações do leite UHT.

Além do leite, o queijo também anda pesando no bolso do consumidor, como lembra Palharini. Isso porque países vizinhos que vendem para o Brasil, como Argentina e Uruguai, também foram afetados pela estiagem.

A Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) foi procurada para comentar sobre a variação dos preços, mas a Cesta Agas, que fazia levantamento dos preços praticados, foi suspensa durante a pandemia.

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