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Notícias | Região LITERATURA

Livro 'Infâncias Abrigadas' mostra a realidade da vida de crianças em casa de abrigo

Obra foi construída apenas com relatos de crianças e suas percepções do dia a dia

Por Carla Fogaça
Publicado em: 18.06.2022 às 11:33 Última atualização: 20.06.2022 às 18:48

“Eu sempre pensei que cancha de bocha era coisa de adulto. Onde eu morava tinha uma cancha e criança não podia jogar. Às vezes, a polícia aparecia lá e todos saiam correndo, eu tinha muito medo. As mulheres bebiam e algumas os policiais levavam, mas eu gostava de lá, queria ter isso aqui”. Essa foi a resposta de uma criança abrigada à seguinte pergunta da pesquisa que virou livro e será lançado em São Paulo, dia 28: o que você gostaria que tivesse na casa lar?

Para muitos, pode ser uma resposta qualquer, mas para o morador de Novo Hamburgo professor, aposentado e mestre em educação Antônio Genivaldo Feitosa, foi um sinal de que as crianças que vivem em casas lares querem, de alguma forma, trazer um pouco da vida de fora para o abrigo. Além dessa vontade, outras crianças manifestaram a vontade de ter salas de brinquedos, quadra de esporte coberta, salas de jogos e por aí vai.

Livro Infâncias Abrigadas mostra a realidade da vida de crianças em casa de abrigo
Livro Infâncias Abrigadas mostra a realidade da vida de crianças em casa de abrigo Foto: Carla Fogaça/GES-ESPECIAL
O questionamento fez parte da pesquisa de mestrado de Feitosa que resultou no livro "Infâncias Abrigadas: impressões de crianças em situação de abrigamento". A obra é voltada para profissionais de educação, psicólogos, assistentes sociais e leitores que têm interesse no assunto.

“É um livro onde somente crianças foram ouvidas. Foi algo novo no Estado e fez parte da minha pesquisa de mestrado em 2009, orientada pela doutora Leni Vieira Dornelles”, conta Feitosa.

Fotografar o espaço que mais gostavam na casa de abrigo foi outra atividade realizada com as crianças. Nessa tarefa, duas fotos foram marcantes para Feitosa, uma delas era a imagem da sala de remédios, onde o menino disse que através da medicação ficava tranquilo. “Aí estudei sobre isso também, por que ele precisava de medicação? Para se enquadrar dentro das normas da sociedade? Foram vários assuntos que surgiram após as atividades”, explica.

E a outra fotografia que marcou, segundo Feitosa, foi a de uma menina de 9 anos, na época, que registrou o quarto onde dormia. “Percebemos que existia a busca pela identidade, algo dela, mesmo em uma casa de transição. Inclusive esta é a ideia da minha segunda obra, estudar a maneira que as meninas enxergam seus quartos de dormir e analisar com a história da Thaís, nome fictício da menina que fotografou o quarto”, diz.

Palestra e autógrafo

No dia 28 de junho, a partir das 18h30, Feitosa estará na Livraria da Vila, em Vila Mariana, São Paulo. Na ocasião, além de sessão de autógrafo e venda de livros, haverá um bate-papo com o tema "Escutas com crianças em um espaço de Abrigamento". 

Livro Infâncias Abrigadas mostra a realidade da vida de crianças em casa de abrigo
Livro Infâncias Abrigadas mostra a realidade da vida de crianças em casa de abrigo Foto: Carla Fogaça/GES-ESPECIAL
Feitosa diz se encantar pelo mundo da educação. Ele foi coordenador em escola por anos, é pós-graduado em Gestão Escolar e mestre em educação. “Não fazia sentido eu continuar o curso de jornalismo que estava fazendo, pois amo a educação”, finaliza.

Virando livro

Após Feitosa perceber que havia mais de 2.000 visualizações na pesquisa de mestrado, que está na íntegra no repositório digital da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), veio a ideia de lançar um livro com o conteúdo do trabalho. “Desta maneira, mais pessoas poderão ter acesso e este livro saiu graças ao meu amigo designer Leandro Pibber que fez a diagramação”, explica.

No fim do ano passado, teve dois lançamentos do livro na Secretaria de Cultura de Novo Hamburgo, um na Livraria Letras e Cia e outro na ‘A Página’, em Porto Alegre. “Agora em janeiro fiz um lançamento em Fortaleza e lá recebi o convite para ir a São Paulo." Os eventos foram fragmentados para evitar aglomerações por conta da pandemia de Covid-19.

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