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Notícias | Rio Grande do Sul Violência

PM temporário envolvido na morte de homem negro estava 'fora do horário de trabalho', diz BM

João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, foi surrado até não resistir às vésperas do Dia da Consciência Negra

Publicado em: 20.11.2020 às 09:18 Última atualização: 20.11.2020 às 09:30

Seguranças espancam homem negro na capital Foto: Twitter/Reprodução
Entre os envolvidos na morte por espancamento de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, está um policial militar temporário. O brigadiano e o outro envolvido, um segurança, foram presos pela Brigada Militar logo após o crime. 

A BM alega, por meio de nota, que o PM estava fora do horário de trabalho. A presença do PM no Carrefour do bairro Passo D'Areia ainda não está esclarecida.

De acordo com o delegado Leandro Bodoia, plantonista da Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), o policial estaria no local como cliente.

A BM não confirma se ele estaria trabalhando como segurança ou se estava fazendo compras no local. Segundo a corporação, as atribuições do PM detido "são restritas, conforme a legislação, à execução de serviços internos, atividades administrativas e videomonitoramento, e, ainda, mediante convênio ou instrumento congênere, guarda externa de estabelecimentos penais e de prédios públicos." A nota ainda ressalta que a conduta do brigadiano fora do horário de trabalho será "avaliada com todos os rigores da lei."

O crime depois de desentendimento com caixa do supermercado.

Dia da consciência negra com essa tragédia ocorrida na véspera: até quando??? https://t.co/HzA2d4tLxY


Desentendimento antes do crime

De acordo com o delegado Leandro Bodoia, plantonista da Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), teria havido um desentendimento entre a vítima e funcionários. Testemunhas disseram que João Alberto fez "gestos agressivos" dentro do supermercado enquanto passava as compras pelo caixa. "Não foi nada muito grave", diz o delegado. Neste momento, os seguranças foram chamados e o conduziram para fora da loja. A esposa da vítima seguiu dentro do estabelecimento finalizando a compra.

Segundo Bodoia, câmeras de segurança mostraram o homem desferindo um soco no segurança. Neste momento teriam começado as agressões.

O que diz a BM

"Nota à Imprensa sobre homicídio de homem em supermercado*

Imediatamente após ter sido acionada para atendimento de ocorrência em supermercado da Capital, a Brigada Militar foi ao local e prendeu todos os envolvidos, inclusive o PM temporário, cuja conduta fora do horário de trabalho será avaliada com todos os rigores da lei.

Cabe destacar ainda que o PM Temporário não estava em serviço policial, uma vez que suas atribuições são restritas, conforme a legislação, à execução de serviços internos, atividades administrativas e videomonitoramento, e, ainda, mediante convênio ou instrumento congênere, guarda externa de estabelecimentos penais e de prédios públicos.

A Brigada Militar, como instituição dedicada à proteção e à segurança de toda a sociedade, reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos e garantias fundamentais, e seu total repúdio a quaisquer atos de violência, discriminação e racismo, intoleráveis e incompatíveis com a doutrina, missão e valores que a Instituição pratica e exige de seus profissionais em tempo integral."

O que diz o Carrefour

"Sobre a brutal morte do senhor João Alberto Silveira Freitas na loja em Porto Alegre, no bairro Passo D’Areia:

O Carrefour informa que adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso. Também romperá o contrato com a empresa que responde pelos seguranças que cometeram a agressão. O funcionário que estava no comando da loja no momento do incidente será desligado. Em respeito à vítima, a loja será fechada. Entraremos em contato com a família do senhor João Alberto para dar o suporte necessário.

O Carrefour lamenta profundamente o caso. Ao tomar conhecimento deste inexplicável episódio, iniciamos uma rigorosa apuração interna e, imediatamente, tomamos as providências cabíveis para que os responsáveis sejam punidos legalmente.

Para nós, nenhum tipo de violência e intolerância é admissível, e não aceitamos que situações como estas aconteçam. Estamos profundamente consternados com tudo que aconteceu e acompanharemos os desdobramentos do caso, oferecendo todo suporte para as autoridades locais."


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