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Notícias | Rio Grande do Sul Polêmica

Após críticas pela perda da Ford no RS, Olívio Dutra fala sobre fechamento de fábricas no País

Há mais de 20 anos, multinacional do segmento automobilístico deixou o Estado e abriu unidades na Bahia

Publicado em: 13.01.2021 às 11:53 Última atualização: 13.01.2021 às 12:07

Mais de 20 anos após o anúncio da saída da Ford do Rio Grande do Sul – que, na época, alegou quebra de contrato por atraso no pagamento de recursos e também motivos de ordem política com o novo governo que assumia, de Olívio Dutra (PT) – surge nova discussão em torno da montadora de veículos. Na segunda-feira (11), a multinacional anunciou o encerramento da produção de veículos da marca no País. Assim, voltou à tona a polêmica da perda da unidade de Guaíba, em 1999, que gerou fortes críticas ao então governador.  

Esta semana, o secretário de Estado na época, Tarcísio Zimmermann, lembrou em entrevista à Rádio ABC, que a Ford somente queria vantagens para se instalar no RS, fato que teria se confirmado agora, com a saída da montadora do Brasil após ter recebido mais de R$ 20 bilhões em incentivos fiscais na Bahia, segundo levantamento do Ministério da Economia.

Nas redes sociais, Olívio publicou depoimento sobre o caso na manhã desta quarta-feira (13). O político gaúcho descreve que as empresas transnacionais, especialmente as do setor automobilístico, "pouco se importam com impactos sociais, econômicos, ambientais e culturais, tanto quando de sua aterrissagem como quando de sua decolagem." Para ele, "assim pretendia agir a Ford, há 20 anos no Rio Grande do Sul."

Olívio ainda fala sobre as estratégias usadas pelas empresas estrangeiras para se beneficiar de incentivos. "A Ford agora está alçando voo para outras paragens, fora do Brasil, depois de ter torcido por um novo governo federal que flexibilizasse as leis trabalhistas, previdenciárias, enfraquecesse os sindicatos, desregulamentasse normas de controle público etc."

Leia abaixo o posicionamento de Olívio Dutra:

Caso

Em 1998, a Ford assinou contrato para a instalação de uma fábrica de automóveis em Guaíba, na região Metropolitana de Porto Alegre. Também foi assinado financiamento com o Banrisul disponibilizando para a empresa a quantia de R$ 210 milhões, com o objetivo de aportar os recursos necessários ao projeto. Pelo acordo, o dinheiro seria liberado aos poucos, mediante prestação de contas das etapas. No entanto, após o pagamento da primeira parcela, a Ford se retirou do negócio alegando que o Estado estava em atraso no pagamento da segunda parcela e, também, motivos de ordem política com o novo governo que assumia, de Olívio Dutra (PT).

Em 3 de fevereiro de 2000, o Estado ajuizou Ação Ordinária postulando o reconhecimento da nulidade de algumas cláusulas contratuais ou, sucessivamente, do inadimplemento contratual da Ford. Também foi interposta, em 27 de fevereiro de 2003, Ação Popular objetivando a invalidação dos Contratos de Implantação de Indústria e de Financiamento e a condenação solidária dos representantes do Estado, do município de Guaíba, do Banrisul e da Ford ao pagamento de perdas e danos.

O que diz a Ford

Em comunicado, a Ford afirma que "avança na reestruturação da América do Sul" para ter um modelo de negócios ágil e sustentável. Por isso, encerrará as operações brasileiras de manufatura nas plantas de Camaçari (BA), Taubaté (SP) e Troller (Horizonte – CE) durante 2021.

Segundo a montadora, a "indústria automotiva global está passando por um processo de transformação impulsionado por novas e emergentes tecnologias em serviços conectados, eletrificação e veículos autônomos, com demandas dos consumidores e itens regulatórios remodelando o mercado. Além disso, a pandemia global da Covid-19 ampliou os desafios do negócio, com persistente capacidade ociosa da indústria e redução das vendas na América do Sul, especialmente no Brasil."

A empresa afirma, ainda, que manterá sua sede administrativa para a América do Sul em São Paulo, o Centro de Desenvolvimento de Produto na Bahia e o Campo de Provas em Tatuí-SP, que continuarão a trabalhar no desenvolvendo de tecnologias e produtos para a região e outros mercados globais. 


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