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Notícias | Rio Grande do Sul O Rio Grande em colapso

Secretária da Saúde alerta: sem medidas mais duras, RS terá 200 mortes por dia em março

Arita Bergmann disse, em reunião com prefeitos, que a retaguarda em hospitais também não está sendo suficiente para atender a demanda diária de casos

Por Igor Müller
Publicado em: 25.02.2021 às 21:06 Última atualização: 25.02.2021 às 22:29

Arita Bergmann, secretária estadual da Saúde Foto: Divulgação
À frente da Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul desde antes da pandemia, a secretária Arita Bergmann fez um alerta assustador e emocionado durante reunião da tarde desta quinta-feira (25) entre governo do Estado, Ministério Público e associações de municípios do Estado. Foi quando o governador Eduardo Leite (PSDB) anunciou a suspensão da cogestão, ou seja, as regiões deixam de seguir os protocolos da bandeira imediatamente inferior à classificação. A maioria dos prefeitos disse ser contra medidas mais restritivas.

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A secretária lembrou que, em 24 de janeiro, em uma reunião com prefeitos eleitos, a taxa de ocupação de leitos no Rio Grande do Sul estava em 74%. "Hoje estamos com 91% dos leitos ocupados. Estamos aqui apavorados", disse, defendendo restrições para reduzir o contágio. "É preciso fazer mudanças para evitarmos o pior, que é perder ainda mais amigos, familiares e colegas."

Arita foi clara ao dizer aos prefeitos que "tudo que nós preparamos em termos de retaguarda em hospitais não está sendo suficiente para atender a demanda diária que temos". "Em 30 dias mais que dobrou a necessidade de internação. Hoje temos 4.925 gaúchos internados com Covid. E a demanda é crescente. Este número é maior que a população de 230 municípios", exemplificou.

De acordo com a secretária, os leitos de UTI estão em ponto crítico e não haverá vagas para todos que necessitam. Se antes dessa escalada, 60% dos pacientes que iam para a UTI morriam, agora a situação é pior. "Aqui quero mostrar aos senhores um dado que é alarmante. 74% de quem vai para a UTI com Covid morre. E muitos não conseguirão leitos de UTI porque não teremos leito de UTI. A quantidade dos pacientes internados em UTI e que consegue se recuperar vem caindo muito rápido", garante a secretária, atribuindo a mudança de comportamento às variantes do vírus.

Gráfico mostra evolução do percentual de mortes dos pacientes que entram na UTI com Covid Foto: Governo do Estado

"Nossa missão conjunta é justamente montar uma estratégia para salvar vidas. E do jeito que está, isso fica cada vez mais difícil", salientou a secretária aos prefeitos. E acrescentou: "Há um aumento expressivo na lista de espera por leitos. Estamos tendo que fazer escolhas. O número de pacientes gravíssimos em espera passou de dois em janeiro para 30 em fevereiro. E o de pacientes em estado grave saltou de 17 para 64, em média. As dificuldades não param", desabafou.

De acordo com dados da Secretaria Estadual da Saúde, se o contágio não for reduzido imediatamente, em 15 de março o Rio Grande do Sul terá 15 mil mortos pela doença. Importante lembrar que o número de 12 mil óbitos foi alcançado no meio desta semana, ou seja, seriam cerca de 3 mil mortes em pouco mais de 15 dias. "Desculpem minha emoção, mas não tem como ser diferente", encerrou a secretária.


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