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Notícias | Rio Grande do Sul DIA DA INDEPENDÊNCIA

Porto Alegre tem tarde de manifestações contra e a favor de Bolsonaro

Opositores do governo fizeram caminhada na região central por emprego e vacina para todos. No Parcão, apoiadores criticaram STF e defenderam voto impresso

Por Matheus Chaparini
Publicado em: 07.09.2021 às 18:50 Última atualização: 08.09.2021 às 10:26

Os protestos marcados para o feriado de 7 de Setembro movimentaram a tarde desta terça-feira em Porto Alegre. Mesmo com a chuvarada que atingiu a região metropolitana, milhares de opositores e apoiadores do presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) foram às ruas, em diferentes pontos da capital.

Marcada para as 13h30, a concentração do grupo contrário ao governo foi no viaduto Imperatriz Dona Leopoldina, na Avenida João Pessoa. Ao gritos de "fora Bolsonaro", manifestantes caminharam em direção ao Largo Zumbi dos Palmares, na Cidade Baixa.

Eles carregavam faixas pedindo “povo na rua, fora Bolsonaro” e “vacina, emprego e auxílio''. A grande maioria usava máscara de proteção. 

A gestão da pandemia e a alta nos preços dos alimentos, do combustível, do gás e da energia elétrica pautavam a maior parte dos textos nos cartazes. Os manifestantes levavam bandeiras de diversos movimentos sociais, estudantis, centrais sindicais e de partidos de esquerda, como PT, PC do B e PCB.

Acompanhados pela percussão de uma bateria, em ritmo de samba e funk, o grupo cantava músicas de protesto contra o governo: “O gás e a comida, tá tudo caro, Bolsonaro genocida” e “Recua fascista, recua, é o poder popular que está na rua”.

Mais cedo, pela manhã, houve ainda ato ecumênico do Grito dos Excluídos junto ao Espelho d'Água, no Parque Farroupilha.

Manifestantes fizeram caminhada contra o presidente Jair Bolsonaro Foto: PAULO PIRES/GES

Mais tarde, por volta das 15 horas, apoiadores do presidente reuniram-se em outro ponto da cidade, o Parcão, no bairro Moinhos de Vento. Em maior número, o grupo foi reforçado por carreatas que vinham de outros municípios do Estado, principalmente da região metropolitana.

Grande parte dos manifestantes, a maioria sem máscara, vestia verde e amarelo ou carregava bandeiras do Brasil. Eles pediam liberdade e protestavam contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Um dos principais alvos de críticas era o ministro Alexandre de Moraes.

Nas faixas, mensagens, muitas delas em inglês, defendiam a destituição de ministros do Supremo, voto impresso nas eleições e criticavam o comunismo. Um cartaz pedia liberdade para o presidente do PTB, Roberto Jefferson, preso durante as investigações do chamado inquérito das milícias digitais e apontado na manifestação como "preso político". 

O protesto contou com ao menos quatro carros de som, que reproduziam frases pedindo a prisão dos ministros do Supremo e transmitiam o discurso feito pelo presidente na Avenida Paulista. No carro principal, duas grandes faixas estampavam "Supremo é o povo. Brasil contra a ditadura da toga" e "Queremos a destituição dos ministros da suprema corte", em português e inglês.

O ato chegou ao fim por volta das 18 horas.

Apoiadores do presidente participaram de ato no Parcão Foto: PAULO PIRES/GES

Bandeira do Brasil e eleitor arrependido

Contra o presidente, a professora aposentada Sandra de Lema, de 60 anos, acompanhou a manifestação com duas bandeiras brasileiras nas costas. “Eu sempre carreguei a bandeira do Brasil. Houve uma apropriação indébita, por antidemocratas, de um símbolo que é de todos, da pátria. Eu acho que tem que ter bandeira do Brasil”, defendeu Sandra.

Ney e Sandra em protesto contra o presidente Jair Bolsonaro Foto: PAULO PIRES/GES

Sandra foi ao ato acompanhada do amigo e também professor aposentado Ney Lemos, de 85 anos. Eleitor de Bolsonaro em 2018, Lemos disse que se arrependeu. “Eu me enganei, votei no Bolsonaro, porque era a esperança. Estou aqui porque quero corrigir esse engano”, afirmou. “Não foi por falta de aviso”, completou Sandra.

Mais alguns manifestantes carregavam a bandeira nacional, que nos últimos anos vem sendo utilizada como principal símbolo das manifestações pró-Bolsonaro. Uma delas trazia o texto “Democracia acima de tudo, Estado laico acima de todos”, parafraseando o lema bolsonarista “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos.”

Bandeira do Brasil e protesto em inglês

A favor de Bolsonaro, a biomédica Débora da Silva, de 50 anos, saiu de Novo Hamburgo em direção a Porto Alegre com a caravana da "Aliança Pelo Brasil". Ela afirma que sete ônibus deixaram o Município do Vale do Sinos rumo ao ato no Parcão.

Manifestante escreve, em inglês, mensagem de apoio a Bolsonaro Foto: PAULO PIRES/GES

“Estou aqui por um Brasil livre, pela nossa democracia, que estamos perdendo aos poucos. Pelos meus filhos e meus netos, para que a gente tenha um Brasil melhor e justo. Acho que vamos conseguir sim”, afirmou.

Débora carregava a bandeira nacional e três cartazes. Dois deles levavam as orações "Pai Nosso" e "Santo Anjo". O terceiro estampava uma frase em apoio ao presidente Bolsonaro em inglês. “Para que o mundo escute nossa voz, precisamos alcançar o mundo em inglês, que é uma língua internacionalmente conhecida e aceita", justificou.

Sem incidentes

Os dois atos foram acompanhados pela Brigada Militar e por fiscais de trânsito. De acordo com a Secretaria Estadual da Segurança Pública (SES), até as 18h30, nenhuma ocorrência relacionada a manifestações havia sido registrada no Rio Grande do Sul.

“O acompanhamento prévio realizado pelos serviços de inteligência e o planejamento antecipado realizado pelas forças de segurança asseguraram a tranquilidade, a proteção a todos e a garantia do livre direito de manifestação pacífica”, informou, em nota, a SSP.

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