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Opinião Gilson Luis Cunha

Planeta dos Macacos e Espaço 1999: as primeiras batalhas épicas da TV brasileira

Por Gilson Luis Cunha
Publicado em: 29.09.2019 às 03:00 Última atualização: 29.09.2019 às 11:19

O mês de setembro, tradicionalmente, é um mês muito significativo no calendário geek. Dia 8 é o aniversário de Jornada Nas Estrelas, também conhecido como Star Trek. Esse ano não fiz uma crônica a respeito, já que já fiz em outras ocasiões, como no aniversário de 50 anos, três anos atrás. Além disso, vez por outra, estou por aqui comentando novidades sobre as maiores franquias do entretenimento pop, e isso inclui Star Trek.

Gosto de datas redondas, daquelas terminadas em zero. Por algum motivo, são as que nos atraem mais, talvez, por um senso de plenitude, de algo que se completou. Bom, isso também não parece muito lógico, uma vez que essas tramas que amamos não chegam exatamente a “terminar”. Dizem que o mangá e o anime eram assim no passado. A série acabava e ponto final. Mas, depois de Dragon Ball e Pokemon, tudo é possível. Sim, tivemos os 80 anos de Batman. Mas as correrias com outros compromissos e o tempo curto me fizeram desistir de uma crônica sobre o aniversário do morcego. Melhor não escrever nada do que escrever por escrever e acabar fazendo algo insosso. Além disso, há gente muito capacitada para isso que certamente não deixou a data em branco. Ainda voltarei a esse tema, em outra oportunidade.

Mas setembro é um nexo, um ponto focal de datas geek. O dia 13 de setembro marcou uma sexta-feira. Nesse dia, foram comemorados os 50 anos de Scooby-Doo e sua turma, data que não deixei passar sem crônica, dada a importância do desenho para gerações de espectadores. Sexta-feira 13! Melhor data para um cinquentenário da turma da Mistérios S.A., impossível. Chequei as datas.

Geek

Infelizmente, o desenho, cinco décadas atrás, não estreou numa sexta-feira, mas sim, numa manhã de sábado, o horário tradicional dos desenhos animados da TV americana. Contudo, essa data ainda tem mais dois significados, não tão óbvios para a maioria do público, principalmente para vocês, jovens padawans com 30 anos ou menos. Em 13 de setembro de 1974 aconteceu a estreia de Planeta dos Macacos, a série de TV com Roddy McDowall. E, como se não bastasse, nessa mesma data, porém, na ficção, em 1999, a lua foi arrancada de sua órbita por uma explosão nuclear e passou a vagar pela galáxia. Esse era o tema de Espaço 1999, série que estreou também em setembro, só que no dia 4/09/1975.

Com tantas coincidências em um mesmo mês, acho que Espaço 1999 merecia uma crônica só para ela, e isso ela ainda terá. Mas a coisa que mais marcou minha infância e pré-adolescência era a escolha impossível de se fazer numa era sem videocassete, quando os únicos filmes “disponíveis” para compara era mirradas (e caríssimas) versões em super-8 de grandes sucessos do cinema que chegavam aqui legendadas em espanhol (“Guerra de Galáxias episodio I: Una Nueva Esperanza” é de lascar). Em uma de suas primeiras batalhas épicas de audiência, a Globo e a Finada TV Tupi posicionaram, respectivamente, Planeta dos Macacos e Espaço 1999 no mesmo dia e horário de suas grades, se não me falha a memória, segundas ou terças-feiras após a novela das 20h. Aquilo era cruel demais.

Como decidir? Como saber se o episódio daquela semana valia a pena mesmo ou era apenas enchimento de linguiça? Pior: como seguir vendo sem ter assistido o episódio piloto. Claro, tempos depois, as duas emissoras repetiriam as séries à exaustão. Mas eu não tinha como saber disso. Lembro até hoje de um vizinho, cliente do armazém de meu pai, que afirmava enfaticamente que eu devia largar Planeta dos Macacos e ficar com Espaço 1999, devido ao “caráter mais científico do segundo”. Na visão dele, seria muito mais fácil arrancar a lua de órbita do que fazer primatas evoluírem. O que ele não sabia é que a lua, semanalmente, entrava em dobra espacial e saltava rumo a novos sistemas estelares, sem explicação alguma a não ser o fato de que o elenco precisava estar vivo (e razoavelmente jovem) para que os episódios funcionassem.

Pois bem. 1999 é passado. Não temos bases permanentes na lua. Nem naves tão versáteis quanto as águias da Base Lunar Alpha. A biologia molecular, no entanto, evoluiu a passos largos e alterar o desenvolvimento e a fisiologia de um animal de modo a torná-lo mais inteligente, em última análise, mudar os rumos de sua evolução, já não parece mais um delírio como imaginava aquele vizinho, mas uma possibilidade. De qualquer modo, na hora H, quem decidia que canal assistir era um juiz supremo com poderes arbitrários: nossa antena de TV. Dado que a Tupi tinha um sinal péssimo em minha vizinhança, cheio de fantasmas, riscos e chuviscos, quem ganhava era a Globo e seu Planeta dos Macacos. A “ciência” teria que esperar. Mas essa é uma outra história. Uma hora dessas, conversaremos a respeito. Vida longa e próspera e que a força esteja com você. Até domingo que vem.


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