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Opinião Crônica

A Fábula dos Mestres

Por Luiz Coronel
Última atualização: 19.10.2019 às 05:00

O senhor não lembra de mim, professor? (Perguntou o antigo aluno, em um encontro casual.) O senhor me inspirou e hoje eu também sou professor. O mestre, educadamente, fugiu a indagação. Prosseguiu o discípulo: - Nunca esqueci a sua lição. Em nossa sala de aula havia um menino muito rico, o Custodio. Ele tinha um relógio ofuscante de tão lindo. Pois eu roubei o relógio. E foi aquele reboliço. O senhor lembra? - Sim, respondeu o mestre. Recordo ter pedido que todos alunos ficassem de pé, de olhos fechados. Revistei um por um os meus alunos. A bom tempo, encontrei o relógio no bolso de um jovem e o devolvi ao dono. - Professor, (prosseguiu o antigo aluno,) o que me deixou atormentado, foi o senhor não ter me repreendido, não ter comentando com ninguém, tendo me deixando com minha culpa e minha merenda. Olha, meu querido ex-aluno, concluiu o mestre: - Eu também estava de olhos fechados. Era o que me competia fazer.

O VAR - Tornou-se, o verdadeiro árbitro do futebol brasileiro. O juiz convencional pode, durante a partida, afastar-se do campo, ir a toilette, dar telefonemas, tomar um cafezinho, trocar de fardamento. O VAR decide tudo por ele. No que se refere aos bandeirinhas, que se conceda, coletivamente, férias coletivas. E ninguém das arquibancadas ou camarotes poderá jogar injúrias de variados calões sobre esta eletrônica autoridade.

A verdade - Distinta senhora, a verdade. Envolta em fragrantes perfumes ou armada, até os dentes, sabe-se excluída de vários recintos. Não faz concessões. Sabe que muitos pretendentes a sua mão a querem submissa. Adaptada aos seus interesses. Quando alguém pretende se dizer "senhor da verdade", ela, nas janelas, sorri e liberta sai campo afora. Ao vê-la passar todos perguntam

- "A quem serve essa verdade"? Ela é filha do tempo e afilhada do vento. O tempo a faz triunfar contra mesquinhos intentos de empoderamento.

Brasil - Tenha-se por uma letra cada uma das cidades do país. Existe uma sentença que não foi escrita. Os brasileiros são romeiros numa peregrinação, eternamente interrompida pelas pedras das trapaças, que tombam de altas montanhas. O Brasil é um rio por onde navega uma embarcação de pesadas esperanças, aguardando, a longo tempo, pela possibilidade de atracar no Porto da Boa Ventura.

A noite - A noite, com sua corte de sombras, andeja pelos bosques, ruas, encobre tua casa, tua vida e te entregas à treva do sono, até que os deuses abram as cortinas do dia e sejas devolvido às trêmulas e a fatigantes fainas de tua agenda.

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