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Opinião Cris Manfro

Qual decisão tomar

A emoção dizia para ele seguir em frente no que ele desejava, já a razão falava pra ele pensar em todos os senões

Por Cris Manfro
Última atualização: 19.10.2019 às 00:00

Ele sabia que precisava dar uma virada de mesa na vida dele. Sabia que precisava colocar limites, não nos outros, mas nele mesmo. Mas, cada vez que ele pensava em largar a vida que tinha e ir, buscar a felicidade, ele sentia uma dor horrível no coração. Ele sabia que o ficar onde estava era abrir mão dele mesmo. Sabia que se moldar, ou se enquadrar no que esperavam dele, era o oposto da sua essência, mas daí vinha o medo, o coração apertava e ele se encolhia. O medo criava personagens, que num momento eram amorosos e, em outros, raivosos, mas nenhum deles era ele mesmo.

Ele sentia medo de sentir dor, de fazer os outros sentirem dor e, por isso mesmo, vivia em dor. Quem já se sentiu vulnerável, inadequado, constrangido, ameaçado, com medo e culpa entende que para tomar certas decisões é preciso um misto de coragem com loucura. Frente a algumas tomadas de decisões alguns dirão que é coragem, outros terão certeza que é loucura. A emoção dizia para ele seguir em frente no que ele desejava, já a razão falava pra ele pensar em todos os senões, pois não é fácil decidir coisas que vão influenciar na vida de outras pessoas.

Cada vez que ele pensava em mudança: "É agora que eu vou", ele começava a fazer uma lista imensa de todas as perdas que teria, ao mesmo tempo que ele não conseguia aproveitar nada de positivo de onde estava, sonhando em como seria se não estivesse ali. Ele sabia intelectualmente das capacidades que tinha, mas quando entravam as emoções se sentia um menino vulnerável. A coaching dizia que para ele ter certeza na decisão, deveria antecipar os obstáculos, o que o enchia de ansiedade e pavor. O terapeuta, ansioso, dizia para controlar o que poderia ser impulsividade, e ele desacreditava no que sentia, e não saía
do lugar.

Foi somente no momento em que ele se apaixonou que descobriu que a decisão que ele não tomava para não sofrer era a que daria vida a ele. Não pense que ele se apaixonou por uma pessoa. Ele se apaixonou foi por uma ideia! A ideia de liberdade. Dela surgiu a certeza de que se tivessem dores, elas seriam bem-vindas, porque significavam um abrir de possibilidades e de inúmeras expedições que ele faria para dentro dele mesmo e em outras coisas da vida. Resolveu trocar a dor crônica pela dor aguda de um renascer. Trocar o medo pela curiosidade. Decidiu largar do certo por um apostar na vida e nele próprio. Todos andam surpresos por vê-lo cantar à toa. Ele descobriu que dobrando a esquina tem um mundo de possibilidades, quando você devolve você a você mesmo!

 

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