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O segredo

Por João Victor Torres
Última atualização: 06.12.2019 às 07:28

Cobrir uma cúpula de chefes de Estado é especial para qualquer jornalista. É aquele tipo de evento que todos gostariam de, pelo menos uma vez, conhecer as entranhas. Mergulhar ao longo de dias num universo desta magnitude não deixa de ser uma responsabilidade gigantesca aos profissionais que lá estavam. As nossas canetas não assinavam tratados bilaterais ou multilaterais, mas reportavam fatos a quem adoraria estar naquele ambiente em que decisões são tomadas e podem impactar na vida de milhares de sul-americanos.

Apesar disso, nossos dedos transcreviam as feições, seja pelas lentes dos ávidos fotógrafos ou as que vinham por meio das manifestações polidas, mas com recados indiretos, proferidas pelos chanceleres e presidentes dos países membros do Mercosul. Ou nem tão recatadas assim. Afinal, Uruguai, Paraguai, Brasil e Argentina levaram à Serra gaúcha seus principais representantes, já que o uruguaio Tabaré Vázquez tem saúde debilitada. As costuras dos termos de cooperação são interessantíssimas. Isso que não temos acesso a boa parte delas. Mas, nos corredores, sempre se pesca uma coisa aqui ou outra ali. Este tipo de trabalho é aquele que se vence na persistência. Nem sempre quem é mais competente consegue a informação primeiro. Sabe, por vezes, é preciso ter sorte do fato ocorrer na sua frente. Porém, o bom relacionamento é elementar. E isso se constrói.

Aquele papo clichê e bem chavão de que ninguém faz nada sozinho talvez seja uma das poucas coisas comuns a todos. Além do universo formal e respeitoso da diplomacia internacional, o paradoxo entre a simplicidade dos moradores que residiam no entorno do Spa do Vinho, um luxuoso hotel de 12 mil metros quadrados que possui, veja só, quatro restaurantes em sua refinada estrutura, era deslumbrante do ponto de vista sociológico. Helicóptero, viatura, escolta e um arsenal de soldados armados até os dentes. A rotina dos moradores no Vale dos Vinhedos foi completamente alterada.

E essa mescla de sentimentos é tão singela. Da totalidade dos bento-gonçalvenses que entrevistei - e foram vários -, ninguém reclamou dos pequenos transtornos. Nem um pio. Eles sentiam orgulho. Sorriso largo no rosto ao saber que presidentes estariam em sua terra. Eles sabem que, por depender do turismo, nada poderia dar errado. Essa é a diferença. Queriam que tudo saísse dentro do planejado para colher, assim como as uvas, bons frutos. Para render bons vinhos no futuro.

 


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