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Educação: o que nos diz o PISA?

Por Leandro Minozzo
Última atualização: 07.12.2019 às 06:00

Os recentes resultados do PISA causaram desconforto em quem acredita na Educação como meio para a transformação do Brasil num lugar melhor - mais justo. Nossos jovens estão com dificuldades na leitura e na matemática. Até aqueles de classes mais abastadas ficam abaixo do esperado na comparação com os dos outros países.

O que acontece? Está tudo errado? De quem é a culpa? Como mestre em Educação, provoco para refletirmos sobre o assunto. No entanto, ressalto que Educação é, tal qual o ser humano, extremamente complexa, dialógica e vinculada à cultura e, o perigo, aos ideais da Elite.

A complexidade vai muito além da falsa polêmica que fragmenta e, ao mesmo tempo, desrresponsabiliza: a Educação se faz em casa ou na escola? Se faz, obviamente, na casa, na escola, nos exemplos, nas mídias e nas ruas. Somos todos responsáveis pelos fracassos e pelas dificuldades em conseguir construir uma sociedade que possibilite que os jovens desenvolvam uma Educação libertadora e transformadora de realidades - os resultados mostram isso.

Na leitura, por exemplo, enquanto outros países a estimulam já nas consultas com o pediatra, ou quando se dá livros no nascimento, por aqui temos adultos e idosos que não gostam de livros, que não leem para seus filhos e que devoram fake news. Culpa: ela é dos próprios jovens? Não vejo assim.

A culpa é, então, pimba, do PT? Pode até ser, mas poderia lembrar que até os anos 2000 o acesso à universidade era escasso e desde lá o número de mestres e doutores aumentou e muito. Centenas de escolas técnicas foram construídas. ProUni. Aumento no Fies. O Mais Educação levou milhares de alunos vulneráveis para o turno integral. Poderia ressaltar que desde 2016 as crianças de 4 a 5 anos têm o direito de ter pelo menos um turno na escola infantil.

"Antigamente a educação era melhor" - é normal ouvirmos isso. Porém, antigamente o analfabetismo era absurdo e escola era ainda mais um privilégio, em especial para as mulheres ou pobres - um milagre para os negros. A questão é que não adianta olharmos para o retrovisor, nem fugirmos da complexidade.

Precisamos de professores valorizados e que o Estado não lave suas mãos. Vir com mágicas, como privatizar escolas, não deu certo nem mesmo na Suécia. Precisamos da volta do programa Mais Educação e do dinheiro do pré-sal para Educação. Precisamos de filosofia, que foi tirada do currículo. O resultado do PISA tem muito da nossa história precária, do nosso presente e, ao mesmo tempo, ele abre espaço para que pensemos no futuro.

 


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