Algumas pessoas preferem se informar sobre o coronavírus com as postagens em redes sociais feitas pelo seu político de estimação na esquerda ou na direita. Para quem prefere uma leitura com mais de 20 palavras e embasamento científico escrita por quem estudou muitos anos sobre o assunto, recomendo a leitura do artigo "Using social and behavioural science to support COVID-19 pandemic response", publicado nessa semana, de autoria de 36 cientistas e professores das mais importantes universidades do mundo, como Stanford, Harvard, Yale e Cambridge. O objetivo do artigo é agrupar décadas de evidências empíricas em estudos científicos sobre comportamento humano.
Sobre fake news e coronavírus: há evidências de que as pessoas tendem a abraçar teorias da conspiração para explicar eventos com consequências sérias e em tempos de crise. Já circulam "notícias" de que a doença foi desenvolvida pela China para atacar os EUA. O artigo aponta que inocular leitores com informações verídicas e devidamente checadas antes de eles terem contato com a teoria da conspiração pode ajudar a imunizá-los.
Segundo problema: a solução para esse tipo de fake news é muito difícil porque a motivação das pessoas ao ler alguma coisa não necessariamente é processar a informação com precisão, mas sim usar o texto para confirmar uma crença que elas já possuíam.
É possível perceber como o primeiro problema é difícil de resolver em grande parte por causa do segundo. É impossível inocular pessoas que fogem da vacinação. Processam a informação com o objetivo de concluir aquilo que já acreditavam antes. Avalie com muito cuidado suas fontes de informação. Você as escolheu porque elas confirmam o que você já pensa? Então é provável que você faça parte do problema das fake news nesse momento delicado.
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