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As lideranças solidárias

Por Jackson Buonocore
Última atualização: 16.04.2020 às 08:00

A pandemia do coronavírus tem desmascarado os líderes autoritários e os "salvadores da pátria" em diversos países. Mas surgiram lideranças solidárias, que fazem muita diferença em todos os setores, especialmente nas áreas da saúde e de pesquisas científicas. No Brasil, mesmo após a ditadura militar, formaram-se lideranças autoritárias para a administração da coisa pública, das empresas e das instituições religiosas, que se degenerou para uma autoridade irracional, mantendo como fonte o poder sobre as pessoas e cujas bases são o medo e a desigualdade entre as partes. Hoje, esses líderes são responsáveis por decisões e ações que geram o desprezo pelos pobres, o desrespeito às minorias, o aumento do desemprego, a precarização dos serviços públicos, a destruição do meio ambiente, a propagação de doenças contagiosas etc. Além disso, eles contam com apoio dos seus liderados, que em tempos de emergência sanitária ficam mais agressivos.

Entretanto, a crise tem mostrado o surgimento de lideranças, que por meio da solidariedade social e do esforço coletivo mobilizam recursos para vencer a Covid-19 e para enfrentar as mazelas sociais, como a miséria, a falta de moradia, o desemprego e os desafios ambientais. Aliás, esses líderes estão demonstrando o seu enorme potencial criativo e criador! Também eles e elas agem em defesa da vida, reprovam a falta de escrúpulos de alguns empresários e protestam contra a improbidade de autoridades, que colocam os recursos públicos à disposição dos mais fortes.

Assim, as igrejas, as escolas, os partidos, as empresas e os movimentos sociais precisam empenhar-se na formação de líderes com autoridade racional, que se alicerça na competência e na igualdade entre as partes, ou seja, na formação de líderes com espírito de compaixão e com preparo intelectual e moral, a fim de liderar nos momentos de calamidade pública e de normalidade.

É importante ressaltar que as lideranças solidárias e as comunidades sabem dialogar na busca de soluções coletivas, respeitando as suas diferenças. Por outro lado, as lideranças autoritárias defendem tão somente os seus interesses e ainda criam mal-estar para dividir a sociedade.

O grande desafio dos líderes solidários, pós-pandemia, é continuar pressionando o Estado a investir maciçamente em saúde pública, no sentido de se preparar para outros eventos similares à Covid-19, e do mesmo modo exigir a criação da renda básica permanente para os mais pobres.

Apesar disso, não é apenas durante a pandemia que temos que ser solidários e ter uma vida protegida do vírus e de suas consequências na saúde, nos empregos e na economia das empresas, contudo, é uma luta constante por uma sociedade em que a natureza humana possa encontrar a sua realização.

Enfim, os líderes como Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Nelson Mandela, Dalai Lama e o Papa Francisco são exemplos de lideranças, que surgiram em tempos difíceis e têm inspirado homens e mulheres a mobilizar a sociedade para caminhar em direção de um mundo mais ecológico, justo e democrático.


O artigo publicado neste espaço é opinião pessoal e de inteira responsabilidade de seu autor. Por razões de clareza ou espaço poderão ser publicados resumidamente. Artigos podem ser enviados para opiniao@gruposinos.com.br


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