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Drogas, vale a pena legalizar?

Por Sergio Etchegoyen
Publicado em: 18.09.2020 às 07:42 Última atualização: 18.09.2020 às 12:46

A sina da sociedade é evoluir, como tudo na natureza. É um processo perene e inevitável, impulsionado por fatores variadíssimos, desde aqueles alheios à vontade humana, uma pandemia, por exemplo, até os que a ciência ou próprio comportamento social promovem.

Evoluindo em busca da melhor solução adaptativa a humanidade chegou até aqui, rompendo limites nem de longe imaginados pelos nossos antecessores.

A profundidade, extensão e velocidade crescente do conhecimento humano alavancaram esse movimento de forma exponencial e nos forçaram a intermináveis discussões acerca dos limites éticos que envolvem desde questões práticas, o home-office está entre elas, a outras mais graves, que trarão repercussões para a caminhada da humanidade, como a liberação das drogas ilícitas.

É muito difícil posicionar-se sobre todos os assuntos deste inexorável tsunami evolutivo que nos empurra para o futuro, mas é irrenunciável dever de cidadania acompanhar e estar atento para recusar caminhos cujos riscos superam as vantagens para a sociedade com um todo, particularmente durante as disputas eleitorais.

Está em discussão no Congresso Nacional um projeto de lei que trata da liberação do plantio da maconha para uso medicinal. Uma iniciativa maliciosamente embrulhada em causas comovedoras, posições ideológicas falsamente generosas e descabidas questões identitárias que omitem fatos e escondem dados ao arrepio da boa ciência, que indica o grave equívoco da medida.

A maconha é uma droga de efeitos reconhecidamente danosos e permanentes para os seus usuários, como atestam inúmeros estudos científicos. Por essa razão, o psiquiatra Valentim Gentil, uma das maiores autoridades brasileiras no assunto, chefe do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, a define como a mais danosa das drogas.

A cannabis sativa tem 480 princípios ativos na sua composição e apenas um é utilizado para fins terapêuticos, o canabidiol, substância que já está sendo sintetizada pelo laboratório Pratt-Donaduzzi, o maior produtor de medicamentos genéricos do Brasil.

A larga maioria de crimes contra a vida ligados ao consumo de drogas são perpetrados por usuários em estado de alteração de consciência, a legalização não terá como modificar este fato. O Uruguai sofre desde a legalização com aumento inusitado da criminalidade.

Imaginar que torná-la legal produzirá danos às organizações criminosas é ingenuidade que não encontra respaldo nos fatos. Cigarro e álcool são duas drogas legalizadas e alimentam uma pesada e lucrativa cadeia de contrabando e falsificação.

Legalização de drogas é assunto de extrema gravidade, não pode ser discutido com leviandade e em bases falaciosas.


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