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Novos tempos, novos costumes

Por Gilberto Mosmann
Publicado em: 28.11.2020 às 12:08

Quando estive pela primeira vez no Japão, no final dos anos 1980, chamou-me a atenção deparar com bom número de pessoas caminhando nas calçadas, transitando em shoppings centers e andando em metrôs e trens com máscaras brancas.

Inicialmente, confesso ter achado tratar-se de pessoas alérgicas à poluição de Tóquio, que hoje está praticamente superada, mas que à época era lá um grande problema.

Informando-me com o senhor Ushida, meu intérprete, esclareceu-me ele que se tratava de pessoas com gripe ou resfriado, sujeitas a espirros ou tosse. Era inverno e grande o número de casos. Sendo os japoneses muito respeitosos para com os outros, soube que o procedimento constituía uma atitude normal, ética, das pessoas.

Em outras visitas, voltei a ver o mesmo. Na China, também vi isso, em menor grau. Quando surgiu a Covid-19, foi fácil estabelecer naquela parte do mundo o uso obrigatório da máscara. Aqui, muitos relutaram e, ainda agora, ouve-se, aqui e ali, ser isso desnecessário. Ou a usam embaixo do nariz ou mesmo do pescoço. Como as pessoas não se policiam, só é possível conter a circulação de não usuários de máscaras em locais mais fechados, como bancos e lojas.

De modo geral, entendo que aos poucos isso se fixará como um costume, como foi no Japão. Quando estiverem com forte gripe, muito mais pessoas usarão máscara. Também, lavarão mais vezes as mãos, com sabonete, e utilizarão seguidamente o álcool 70 graus, em gel ou líquido. As roupas externas já são expostas ao Sol ou à brisa, em locais arejados.

Outra boa prática que vem sendo aceita e adotada é a de que sapatos não sejam usados no interior das residências. Muitos borrifam seus solados com álcool líquido e os deixam a ventilar onde melhor cabe, até o dia seguinte. Não os deixam no capacho da porta da frente de apartamentos. Dentro de casa, usam chinelos ou pantufas. Seria bom manter a luvinha leve de filme plástico na mão com a qual o comensal colhe alimentos em cubas de buffets self services com as mesmas conchas, grandes colheres e pegadores de massa que todos os outros freqüentadores também usam.

Quanto a vacinas, muitos não as fazem anualmente para prevenir gripes. Não é apenas esperar as que estão vindo aí para o coronavírus.

Vejam quantos novos costumes se criaram ou podem ser criados. Costuma-se dizer que as guerras são as que mais propiciam avanços técnicos e médicos. A guerra do coronavírus é um caso concreto. Melhor seria que ela não tivesse surgido. Mas desencadeou até novos usos para materiais plásticos que vinham sendo erradamente julgados.

O home office, não tenhamos dúvida, veio para ficar, e certamente será objeto de adequada conceituação formal. É de se consagrar esses novos costumes, que o tenebroso novo tempo ensinou-nos a adotar.

Para não haver dúvida, pessoalmente valho-me de todos, estando à espera da vacina preventiva da Covid-19 que o meu clínico geral entender como a mais apropriada.


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