Publicidade
Opinião Opinião

Distritos industriais

Por Gilberto Mosmann
Publicado em: 31.07.2021 às 03:00

Duas vezes secretário de Desenvolvimento do Estado, tive sob minha supervisão Distritos Industriais (DI´s), quatro já lotados. Santa Maria, Cachoeirinha, Gravataí e Alvorada e Viamão os têm. Estância Velha tem o seu, municipal, em franco desenvolvimento. E o caso de São Leopoldo, no bairro São Borja, criado pela Prefeitura, é bastante emblemático, porque alavancou e diversificou a industrialização leopoldense. Campo Bom tem o Feevale Techpark, com a prefeitura de lá. O mega-exemplo é o Vale do Silício, nos Estados Unidos, que fatura, sozinho, mais que muitos Estados.

Portanto, eles têm dado certo. A principal razão do êxito está na concentração de itens essenciais, tais como obras viárias, redes pluviais, suprimento de energia, sistema de transporte coletivo, fibra ótica, esgotos.

O único senão que vivi foi no DI de Gravataí, com acirrada disputa de mão-de-obra entre algumas empresas ali instaladas. Em uma reunião, a situação foi resolvida, não se repetindo.

Novo Hamburgo teve o projeto Urbin, com um DI e seu sistema habitacional, na várzea do Rio dos Sinos. Lamentavelmente, não saiu do papel. Alegar-se que há muitos imóveis industriais disponíveis para locação e venda, fruto do fechamento de fábricas, não é argumento aceitável, cabendo sublinhar os fatores de concentração, que barateiam a implantação concentrada de empresas industriais, centros de distribuição e de logística.

Com os bons exemplos na própria região, e tantos outros que poderiam ser mencionados, não entendo porque municípios como Novo Hamburgo ainda não implantaram o seu respectivo DI. É hora, aqui, até para dar visibilidade à Secretaria de Desenvolvimento. Erro é alegar a falta de áreas de porte.

Sem se ater à ainda Capital Brasileira do Calçado, vários outros Municípios da região deveriam agir de igual forma. A instalação isolada, mesmo quando há a exigência de expressivas áreas para certos empreendimentos, é estar de costas para uma realidade virtuosa, proveitosa e exitosa, em todos os lugares em que foi implementada.

E isso especialmente em cidades que têm uma outra importante lição de casa a fazer: a sua reconversão industrial. Por exemplo, a produção de calçados migrou daqui e aqui diminuiu.

Claro que continua a haver em Novo Hamburgo um importante centro de inteligência em pesquisa e desenvolvimento desse produto, de criação e de montagem de máquinas e equipamentos, de componentes e de apoio, mas com a produção de sapatos mais fora que dentro da região.

Os DI´s não são a única saída para ampliar e diversificar o setor de transformação, todavia temos aí provas bem recentes, como a de Estância Velha, a mostrar quão importante é essa solução.

Há quem defenda a mesma ideia. Somo-me a eles e a muitos que pensam de igual forma, mas que ainda não se manifestaram, o que sugiro que façam. Várias cidades estão adotando a iniciativa, mesmo que Novo Hamburgo ainda marque passo quanto ao seu próprio Distrito Industrial.


O artigo publicado neste espaço é opinião pessoal e de inteira responsabilidade de seu autor. Por razões de clareza ou espaço poderão ser publicados resumidamente. Artigos podem ser enviados para opiniao@gruposinos.com.br
Gostou desta matéria? Compartilhe!
Encontrou erro? Avise a redação.
Publicidade
Matérias relacionadas

Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.